Acabei de ler um dos clássicos da literatura de desenvolvimento de software: The Pragmatic Programmer, de Andy Hunt e Dave Thomas. Os nomes na capa não são esses, mas os caras já são figuras tão carimbadas que todo mundo já conhece os apelidos.
Este livro deve ser um dos maiores culpados pela disseminação — e posterior perda de significado — do termo “pragmático”. A essa altura a palavra já percorreu todo o caminho rumo à terra perdida dos termos de efeito. Talvez a intenção original dos autores tenha sido boa, mas a decisão de usar o termo como um tipo de marca registrada (Pragmatic Press, Pragmatic Unit Testing, etc.) com certeza não ajudou a preservar o significado original.
Não é à toa que o livro é indicado pelos melhores programadores que conheço e virou um clássico moderno. A desvirtuação do termo muito provavelmente foi conseqüência disso: muita gente talentosa comentando e muita gente não tão talentosa assim lendo somente o prefácio. Os capítulos são auto-contidos e parecem muito com textos de blogs (e digo isso como elogio). O estilo é bem informal, gostoso de ler e sempre abarrotado de referências relevantes — tanto internas quanto externas (uma das piores coisas do mundo é gente que só faz referência ao próprio trabalho).
As páginas estão repletas de conselhos sábios de dois dos mais geniais praticantes da arte da programação. Lá pode-se encontrar as práticas óbvias que sempre são ignoradas como usar controle de versão para tudo, preferir formatos de texto puro e dominar um ambiente de linha de comando. Além disso há discussões sobre como organizar equipes, sobre linguagens específicas de domínio e, claro, o mundialmente famoso princípio DRY. Não se vê citações de institutos de pesquisa obscuros para provar nenhum argumento. Ao invés disso, tudo é muito bem argumentado com bastante lógica, sensatez e experiência.
O texto é digerível para os novatos sem se tornar entediante para os veteranos. Às vezes é necessário dar um desconto para o tom fundamentalista do texto (o que é um certo paradoxo para algo com o termo “pragmático” no título), mas em geral a relevância dos conselhos é das mais altas. Este certamente é um daqueles livros que todo programador deveria ler e reler periodicamente.
Notei nas entrelinhas que você assume que programar é uma arte.
Confere?
Fred, acho que confere pelo menos parcialmente. Na verdade estou preparando um novo texto sobre isso. Só não sabia que dava para ler nas entrelinhas deste texto.
Leio e releio esse livro periodicamente desde junho de 2005 e só reitero o que você falou sobre ele. Você já leu “Programming Pearls” do Bentley? É outro clássico absoluto, apesar de ter o foco um pouco diferente do livro do Hunt, eu coloco esses 2 mais o “Code Complete” como a tríade que todo programador sério deveria ter na estante.
Btw, qual a entrelinha em que vc deixou escapar que programar é uma arte? :P
Fala Thiago,
É, Burger King não tem aqui no Rio hehe. Comi um monstro com 4 carnes lá em Sampa e foi mto bom hehe
No mais, valeu pela visita e comentário !
Abração,
Bruno Carvalho
Muito bom o review. Tá na lista do TO READ!
xêro!
Estou atualmente na metade da leitura do Pragmatic Programmer, impressionado com o que estou lendo, desafiado por não poder (ainda) botar algumas das boas idéias dali em prática, e feliz por notar que muitos dos tópicos eu já conhecia através da leitura de bons blogs. Bom saber que não sou só eu que está ficando marcado por esse livro!
Desculpe o atraso mas existe a versão em português?