Ajudando no burburinho

Web 2.0 tá na moda, mais na moda do que aquelas músicas eletrônicas intercaladas com assobios. Por todo lado que eu olho tem alguém falando dela. Toda semana aparece mais uma aplicação hospedada em um domínio terminado em ‘o.us’. Parece que todo mundo está usando bordas redondas e dá pra achar tags em todo site que entro. Outro dia desses minha mãe veio comentar comigo que a era da informação tinha acabado, que estávamos entrando agora na era da participação.

Tá bom, esta última não é verdade (a frase na verdade é de Jonathan Schwarts, agora CEO da Sun). Mas do jeito que as coisas andam, bem que podia ser. O fato é que Web 2.0 há muito tempo virou uma palavra de moda e seu sentido está cada vez mais obscuro. Para falar a verdade, todos os aspectos que citei no parágrafo anterior me lembram a tal segunda versão da web. Todos eles marcam de algum modo essa nova revolução.

Mas o que eu acho mais interessante é a frase de Schwartz. As pessoas deixaram de ser apenas consumidoras de informação para serem produtoras. O que estamos vendo não é uma revolução tecnológica, mas uma reviravolta cultural provocada pela evolução tecnológica. Nesse novo mundo as comunidades são as grandes responsáveis pela informação e comunidades são feitas de pessoas. Cada pessoa faz um trabalho pequeno, algo que tome tão pouco tempo que ela não se importa em cedê-lo. A grande mágica é a informação brotar da interação entre as pessoas. É assim que foi construída a Wikipedia, que hoje já é a maior enciclopédia do mundo.

Uma aplicação totalmente Web 2.0 que descobri há pouco tempo é o site last.fm. Ele é uma gigantesca base de dados sobre música construída quase que exclusivamente por seus usuários. Você se cadastra, instala um pequeno plugin no seu tocador de música e tudo que você escutar vai sendo enviado para o site. Seus dados são cruzados com os dos outros usuários e o sistema é capaz de sugerir algumas músicas com base nisso. Há também o aspecto Orkut da coisa. Depois que o sistema recebe uma certa quantidade de músicas suas, ele diz quem são seus ‘vizinhos musicais’, gente que tem gosto parecido com o seu.

Outra bem útil é o site digg.com que apesar de terminar em ponto-com, é uma das coisas mais Web 2.0 que se pode ter. As pessoas usam o site para indicar coisas interessantes que elas acharam (escavaram) na Internet e há um sistema de votação. As histórias mais populares vão borbulhando até a pagina principal e as menos populares ficam escondidas em alguma página obscura.

Curioso é que se olharmos por outro ângulo, vemos que toda essa revolução na verdade talvez seja uma volta às origens. Há alguns artigos, textos e páginas nessa grande rede que são verdadeiros fósseis cibernéticos. Vestígios de um tempo em que a rede era habitada por programadores, cientistas e outras criaturas mitológicas atualmente em extinção. Estes fósseis nos contam uma história de um lugar intocado pela bolha ponto-com dos anos 1990 onde ainda não havia grandes portais. Nesse lugar o conteúdo também era gerado por indivíduos e era interessante descobrir como as coisas se interligavam. As pessoas se comunicavam através de redes formadas por listas de discussão e grupos Usenet (você já ouviu falar nisso? Eles ainda existem!) e faziam páginas pessoais, uma espécie de ancestral dos blogs.

O que estamos observando hoje é somente a vontade de se comunicar, de fazer diferença e de ser parte de algo maior potencializada pelos avanços da tecnologia. O poder de informar (e desinformar) está sendo transferido dos grandes feiticeiros para o usuário comum.



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