Testando os testes

“Ter testes automáticos para validar o código é muito bom. Você pode refatorar o código livremente, os testes te ajudam a saber que você não quebrou nada e bla bla bla.”

Você muito provavelmente já escutou essa conversa. Esse é o discurso padrão dos xispistas e de quase todo mundo na comunidade ágil. Todo mundo fala que os testes servem para manter a aplicação saudável, mas o código dos testes também é código e ele precisará ser refatorado mais cedo ou mais tarde. Já aprendemos que não dá pra acertar da primeira vez no código de produção, achar que no de teste dá seria ingenuidade.

Já que não dá, fazemos com os testes o mesmo que fazemos com a aplicação. Escrevemos um pouco de cada vez e refatoramos conforme necessário para não repetir idéias, minimizar o acoplamento e alcançar todas aquelas outras coisas boas que aprendemos na escola (ou que a experiência nos ensinou).

Quando estamos refatorando o código da aplicação, confiamos no código de teste para não nos deixar cair. Mas quando é o código de teste que estamos refatorando não há uma segunda rede protetora, não há testes que testem os testes que testam o que deve ser testado (eu sei que ficou confuso, foi de propósito). Na verdade, podemos ir em frente e escrever os meta-testes.

Mas talvez não precisemos.

Os testes não estão tão desprotegidos assim. Há a aplicação para garantir que eles não estão fazendo nada errado. Ela foi escrita especialmente para passar naqueles testes e pode ser usada para garantir que o comportamento deles não está mudando, que eles estão checando o que checavam anteriormente. Se não alterarmos o código da aplicação quando estivermos reestruturando o dos testes, sair de uma barra verde para outra é razoavelmente seguro.

Há uma sinergia muito grande entre os dois tipos de código. O código de teste segura o de produção e o código de produção segura o de teste. Quem já viu dois amigos tentando voltar para casa depois de saírem de uma festa embriagados sabe como é isso. Nenhum dos dois vai chegar muito longe sozinho, mas quando estão juntos um pode contar com o outro se tropeçar.

1 Response to “Testando os testes”


  1. 1 delvar 22/jun/2006 às 05\0517

    Muito bom o exemplo dos amigos bêbados, hehehe.

    Uma coisa importante de lembrar sobre essa questão dos testes é que na verdade o teste antecipa a execução daquela parcela de código. O problema não é escrever o código em si, mas passar muito tempo sem executar aquele código. Esse é um dos problemas da orientação à objetos (escrever objetos que não rodam por si só), mas que é resolvido pelos testes.


Comments are currently closed.




%d blogueiros gostam disto: