Melhor que a encomenda

Fazer somente o solicitado pode ser um suicídio completo em qualquer mercado competitivo e, a menos que você detenha algum tipo de monopólio, desenvolvimento de software é um desses mercados. Seus concorrentes muito provavelmente estão fazendo mais do que o estritamente necessário e ninguém quer ficar para trás. O inverso, entretanto, não é receita de sucesso. Fazer mais do que o requisitado pode levar a uma corrida sem fim por novas funcionalidades que vai drenar toda a energia da sua equipe e deixar muita coisa inacabada.

Se você tem uma capacidade de produção limitada (e quem não tem?), é melhor evitar corridas tresloucadas e tentar se destacar no essencial. Fazer menos coisas para que possa fazê-las com mais qualidade.

Acho que este é o exemplo mais batido da Internet hoje em dia (se bem que o iPod está se mostrando um adversário à altura), mas vou usá-lo assim mesmo. No ano 2000, enquanto um de seus maiores concorrentes, o Yahoo, tinha uma página repleta de links e funções, o Google (o sistema de busca, não a empresa) tinham apenas um campo de texto e um botão. Eles tinham uma única coisa para fazer, por isso podiam se concentrar. O resultado é que conseguiram se destacar, apesar dos concorrentes oferecerem mais serviços à época. Você sabe o que é um sucesso, quando uma marca começa a virar verbo. Hoje em dia eles já estão brigando para que a marca não passe para domínio público como sinônimo de busca.

Introduzir novos serviços não solicitados é um jogo de adivinhação e, a menos que você esteja no ramo da clarividência, este não é o tipo de jogo que você quer jogar. Por outro lado, fazer melhor do que o esperado pode colocar você no mesmo pedestal do “mais”, mas sem o risco associado.

Acho que a moral da história dessa vez é: faça melhor que a encomenda, não mais que a encomenda.



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