Máquinas carentes

Então você pensava que receber atenção era uma necessidade exclusivamente humana ou no máximo do seu cachorro — ou gato, não quero começar uma guerra cães vs. gatos aqui. A novidade é que isso acontece com máquinas também. Olhe estes velocímetros, por exemplo:

Veloc�metro seguro de si Veloc�metro carente

O velocímetro da direita é uma dessas máquinas carentes. A graduação é confusa porque os trastes usados para as velocidades numeradas são apenas um pouco mais espessos do que os das intermediárias. O problema fica mais evidente depois que se passa de cem quilômetros por hora. Os números de três dígitos precisam ficar bem próximos uns dos outros e, se você olhar rapidamente, não vai saber se está a 130 ou 140. É preciso parar e se concentrar para diferenciar qual o traste mais espesso. É preciso dispensar mais atenção do que deveria ser necessário para um velocímetro. Sem falar que não dá para fazer isso e olhar para a estrada ao mesmo tempo.

O da esquerda é muito mais seguro de si. Os trastes intermediários são bem mais finos que os principais. Como se não bastasse, eles são mais curtos também e o espaçamento é muito maior. Ele é um velocímetro que não implora para ser olhado, apenas fornece a informação e sai do caminho.

Se você projeta algum tipo de máquina (e todo programador faz isso), tome cuidado para não fazer uma dessas máquinas carentes. As pessoas já estão suficientemente ocupadas dando atenção para outras pessoas. As máquinas não devem competir com isso.



%d blogueiros gostam disto: