Resenha: Por que as pessoas de negócios falam como idiotas?

Num mundo onde o jargão e o palavreado vazio são a regra, expressar-se claramente e com objetividade pode ser um tremendo diferencial. Quando todos se esforçam para parecer iguais, ser a exceção garante um lugar de destaque e “Por que as pessoas de negócios…” é um livro que convence a aproveitar-se dessa situação.

O livro é estruturado em quatro partes, cada uma dedicada a uma das armadilhas: obscuridade, anonimato, venda agressiva e tédio. Na maioria das vezes as pessoas querem ser claras, mas o ambiente corporativo que as cerca não é exatamente um meio que as incentiva para isso. Na verdade, o caminho mais natural neste mundinho parece ser exatamente o contrário. Por isso o texto fala de armadilhas, são coisas que nos capturam sem que notemos e das quais ninguém se aproxima de propósito.

Acontece com todo mundo. Tem o gerente que quer parecer mais inteligente que os outros usando algumas palavras difíceis, como “aculturamento”, “objetivar” e “endereçamento”, mas que no fim das contas só deixa de ser compreendido. Qual o problema com “endereço”, afinal?

Tem também o programador sempre ligado na evolução da computação mundo afora que de tanto ler em inglês começa a escrever como se seus textos em português tivessem passado por um tradutor automático dos mais fraquinhos. Parece que o português está ficando obsoleto (ou seria “depreciado”?). O negócio agora é dificultar a compreensão falando portuglês através de expressões como “sistema irresponsivo” ao invés de “sem resposta” ou “comer a própria comida de cachorro” ao invés de “provar do próprio remédio”. Ou até perpetuar traduções tortas como “aplicativo de missão crítica”, que já vem da expressão completamente desprovida de significado “mission critical application” e deveria ser “aplicativo crítico para a missão”.

Muita gente deixa a personalidade em casa quando sai na segunda-feira de manhã e veste um manto de obscuridade disfarçado de profissionalismo junto com a roupa do trabalho. Por causa do ambiente esterilizado da vida corporativa, pensam que precisam deixar aquela pessoa engraçada bem longe e tornarem-se uma versão pausterizada de si mesmos oito horas por dia, cinco dias por semana.

O livro tenta mostrar sempre com muito bom humor quais são as armadilhas mais comuns do discurso corporativo e insiste no argumento de que são exatamente isso: armadilhas. As pessoas não se esforçam para parecer evasivas e vazias de propósito. É bem verdade que às vezes elas querem realmente sair de alguma saia justa, mas isso não acontece todo dia. Portanto, da próxima vez que vir alguém se perdendo com termos esquisitos como “governança” e “missão crítica”, controle a raiva e não ataque ninguém. Ao invés disso, alerte a pessoa para o fato de que talvez os outros não a estejam entendendo muito bem e que talvez seja interessante mudar um pouco o estilo de comunicação.

Por falar nisso, se isso acontecer aqui neste blog, por favor não hesite em avisar. Eu não vou achar que você está sendo implicante nem chato. Prometo.

6 Responses to “Resenha: Por que as pessoas de negócios falam como idiotas?”


  1. 1 Thiago Brito 10/dez/2007 às 18\0624

    Muito interessante sua resenha, sinceramente eu gostei tanto que vou acabar comprando o livro !

    Obrigado !

  2. 2 Tapajós 01/jan/2008 às 22\1027

    Thiago, acho que vou comprar esse livro !

    Uma das coisas mais irritantes que eu tenho visto é a palavra colaboradores para substituir funcionários.
    Porque dizer “temos 200 colaboradores” no lugar de “temos 200 funcinários” ?

    Alguém me explica ?

  3. 3 Anderson 18/fev/2008 às 04\0428

    Concorda comigo que soa mais suave a palavra “colaborador” do que a palavra “funcionário”.

    Particularmente, prefiro a palavra colaborador, porque assim me considero: um colaborador à empresa. Também tem a ver com o nível de preocupação e respeito que os gestores da empresa tem com você.

    Poderia ser pior: conheço empresas onde os funcionários são referenciados pelo termo “mão de obra”.

  4. 4 Marcos 04/abr/2008 às 23\1137

    Acredito que “colaborador” é o termo usado para referir
    igualmente funcionários E terceiros, de forma a aliviar a sensação destes últimos de serem discriminados dos primeiros.

  5. 5 Eddie® 23/set/2009 às 00\1259

    nem funcionario, nem colaborador. O termo hoje é “headcount”.


  1. 1 1up4Developers » Blog Archive » The Pragmatic Programmer, no ambiente Waterfall é claro ! Trackback em 18/ago/2008 às 18\0603
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