Archive for the 'leitura' Category

Desativação

Finalmente tomei vergonha na cara e passei a hospedar este blog em um domínio próprio, o que quer dizer que este site que você está lendo foi desativado e não será mais atualizado. O histórico aqui vai ser mantido, mas os textos novos agora serão publicados no http://blog.thiagoarrais.com.br. Quem acompanha através do feed RSS do FeedBurner já está recebendo os textos novos normalmente e não precisa atualizar nada, mas se você tiver recebido este texto pelo seu agregador de feeds, vai precisar atualizar para o endereço do feed novo.

Resenha: Por que as pessoas de negócios falam como idiotas?

Num mundo onde o jargão e o palavreado vazio são a regra, expressar-se claramente e com objetividade pode ser um tremendo diferencial. Quando todos se esforçam para parecer iguais, ser a exceção garante um lugar de destaque e “Por que as pessoas de negócios…” é um livro que convence a aproveitar-se dessa situação.

O livro é estruturado em quatro partes, cada uma dedicada a uma das armadilhas: obscuridade, anonimato, venda agressiva e tédio. Na maioria das vezes as pessoas querem ser claras, mas o ambiente corporativo que as cerca não é exatamente um meio que as incentiva para isso. Na verdade, o caminho mais natural neste mundinho parece ser exatamente o contrário. Por isso o texto fala de armadilhas, são coisas que nos capturam sem que notemos e das quais ninguém se aproxima de propósito.

Acontece com todo mundo. Tem o gerente que quer parecer mais inteligente que os outros usando algumas palavras difíceis, como “aculturamento”, “objetivar” e “endereçamento”, mas que no fim das contas só deixa de ser compreendido. Qual o problema com “endereço”, afinal?

Tem também o programador sempre ligado na evolução da computação mundo afora que de tanto ler em inglês começa a escrever como se seus textos em português tivessem passado por um tradutor automático dos mais fraquinhos. Parece que o português está ficando obsoleto (ou seria “depreciado”?). O negócio agora é dificultar a compreensão falando portuglês através de expressões como “sistema irresponsivo” ao invés de “sem resposta” ou “comer a própria comida de cachorro” ao invés de “provar do próprio remédio”. Ou até perpetuar traduções tortas como “aplicativo de missão crítica”, que já vem da expressão completamente desprovida de significado “mission critical application” e deveria ser “aplicativo crítico para a missão”.

Muita gente deixa a personalidade em casa quando sai na segunda-feira de manhã e veste um manto de obscuridade disfarçado de profissionalismo junto com a roupa do trabalho. Por causa do ambiente esterilizado da vida corporativa, pensam que precisam deixar aquela pessoa engraçada bem longe e tornarem-se uma versão pausterizada de si mesmos oito horas por dia, cinco dias por semana.

O livro tenta mostrar sempre com muito bom humor quais são as armadilhas mais comuns do discurso corporativo e insiste no argumento de que são exatamente isso: armadilhas. As pessoas não se esforçam para parecer evasivas e vazias de propósito. É bem verdade que às vezes elas querem realmente sair de alguma saia justa, mas isso não acontece todo dia. Portanto, da próxima vez que vir alguém se perdendo com termos esquisitos como “governança” e “missão crítica”, controle a raiva e não ataque ninguém. Ao invés disso, alerte a pessoa para o fato de que talvez os outros não a estejam entendendo muito bem e que talvez seja interessante mudar um pouco o estilo de comunicação.

Por falar nisso, se isso acontecer aqui neste blog, por favor não hesite em avisar. Eu não vou achar que você está sendo implicante nem chato. Prometo.

Blog novo

Quem costuma acompanhar este blog já deve ter notado que de vez em quando cito Ruby em um exemplo ou outro e às vezes analiso algum aspecto da linguagem. Porém nunca dediquei muito tempo à linguagem, bibliotecas associadas e nem a frameworks interessantes. Nunca escrevi nenhum tutorial, fiz resenha de nenhuma biblioteca nem publiquei novidades sobre Ruby por aqui.

Para estas e outras coisas relacionadas a Ruby vai servir o Minerama. Este novo blog foi uma idéia do João Paulo Lins e estou entrando junto com ele nessa com o objetivo de criar mais um ambiente colaborativo para aprendizado de Ruby (como se já não houvesse milhares). Por “colaborativo” quero dizer que vamos aceitar textos assinados por outros autores. Este é um blog verdadeiramente multi-autor e espero conseguir algumas colaborações bastante interessantes. Por enquanto só há um texto introduzindo os objetivos do projeto, mas não vai demorar para começar a aparecer novidades.

Por fim, não, eu não abandonei nem pretendo abandonar o Mergulhando tão cedo. Apesar de um mês e meio ser um bocado de tempo sem textos novos, pretendo voltar a publicar dentro de uma semana no máximo. Quem preferir pode “ficar no aguardo”, mas fico feliz se você só esperar um pouco. (Notaram como ninguém mais “aguarda” ou “espera”? Todo mundo agora só “fica no aguardo.” Parece que o corporativês vai dominar o mundo mesmo.)

Resenha: The Pragmatic Programmer

Acabei de ler um dos clássicos da literatura de desenvolvimento de software: The Pragmatic Programmer, de Andy Hunt e Dave Thomas. Os nomes na capa não são esses, mas os caras já são figuras tão carimbadas que todo mundo já conhece os apelidos.

Este livro deve ser um dos maiores culpados pela disseminação — e posterior perda de significado — do termo “pragmático”. A essa altura a palavra já percorreu todo o caminho rumo à terra perdida dos termos de efeito. Talvez a intenção original dos autores tenha sido boa, mas a decisão de usar o termo como um tipo de marca registrada (Pragmatic Press, Pragmatic Unit Testing, etc.) com certeza não ajudou a preservar o significado original.

Não é à toa que o livro é indicado pelos melhores programadores que conheço e virou um clássico moderno. A desvirtuação do termo muito provavelmente foi conseqüência disso: muita gente talentosa comentando e muita gente não tão talentosa assim lendo somente o prefácio. Os capítulos são auto-contidos e parecem muito com textos de blogs (e digo isso como elogio). O estilo é bem informal, gostoso de ler e sempre abarrotado de referências relevantes — tanto internas quanto externas (uma das piores coisas do mundo é gente que só faz referência ao próprio trabalho).

As páginas estão repletas de conselhos sábios de dois dos mais geniais praticantes da arte da programação. Lá pode-se encontrar as práticas óbvias que sempre são ignoradas como usar controle de versão para tudo, preferir formatos de texto puro e dominar um ambiente de linha de comando. Além disso há discussões sobre como organizar equipes, sobre linguagens específicas de domínio e, claro, o mundialmente famoso princípio DRY. Não se vê citações de institutos de pesquisa obscuros para provar nenhum argumento. Ao invés disso, tudo é muito bem argumentado com bastante lógica, sensatez e experiência.

O texto é digerível para os novatos sem se tornar entediante para os veteranos. Às vezes é necessário dar um desconto para o tom fundamentalista do texto (o que é um certo paradoxo para algo com o termo “pragmático” no título), mas em geral a relevância dos conselhos é das mais altas. Este certamente é um daqueles livros que todo programador deveria ler e reler periodicamente.

Blogday 2007

O José Oliveira indicou este blog (junto com outros quatro) em um texto publicado como parte da iniciativa BlogDay 2007. Ele não especificou se isto é algum tipo de meme, mas tem todas as características de um. Parece que estou meio atrasado, já que o tal dia foi na última sexta-feira (dia 31), mas vou usar isto como desculpa para indicar cinco blogs que acompanho de qualquer modo (em nenhuma ordem em particular):

Motor curiosidade — Novo blog do Marcos Pereira sobre desenvolvimento de software e essa vida de programador. Promete ser extremamente interessante, a julgar pela qualidade dos dois primeiros textos e pelos textos dele no blog antigo.

Coding Horror — Talvez um dos blogs mais discutidos no pequeno círculo dos programadores. Jeff Atwood costuma abordar com acidez e bom humor assuntos relacionados a tecnologia que vão desde a relevância dos jardins gradeados na internet até como montar uma máquina silenciosa.

Danilo Sato — Para quem quer estar por dentro das últimas novidades em matéria de agilidade e sempre de olho no mundo acadêmico. Danilo costuma freqüentar conferências ágeis (e também algumas não tão ágeis assim) e relata as experiências neste blog, junto com muitos pensamentos úteis.

Thinking Parallel — Mesmo para quem acha que este barulho todo sobre paralelização é só mais uma onda, não custa nada acompanhar o blog do Michael Suess. Apesar dele ser um pós-doutorando, seus textos passam longe do academiquês e costumam ser dos mais digeríveis sobre o assunto.

{ | one, step, back | } — Jim Weirich não é tão conhecido (e forçadamente controverso) quanto David Hansson, mas é uma das figuras mais relevantes quando o assunto é Ruby. Se você programa em Ruby, mesmo que ainda não tenha ouvido falar no cara, já deve ter usado rake ou builder, duas ferramentas criadas por ele.

Twitter, eu me rendo

Twitter é um serviço para publicação de mensagens curtas. As pessoas usam todo tipo de aparelho eletrônico para responder a famigerada pergunta “O que você está fazendo?”. As mensagens precisam caber em 140 caracteres. Isso, além de possibilitar mensagens rápidas enviadas de aparelhos celulares, faz com que todo mundo se concentre em dar o recado com poucas palavras.

Quando tomei conhecimento do Twitter, minha reação inicial foi questionar porque diabos alguém iria querer saber o que eu estou fazendo. Eu definitivamente não estou nem aí para o que milhares de anônimos com acesso à Internet estão fazendo agora. Afinal de contas, esse é mais ou menos o mesmo propósito de um blog-diário, só que mais instantâneo.

Mas eu estou muito interessado em aprender com eles. Não importa quem sejam, se eles podem falar algo sobre um assunto que me interesse, quero pelo menos tentar escutar.

Eu tenho o hábito de compartilhar pensamentos rápidos com as pessoas através de mensagens curtas. Todo mundo que está na minha lista de contatos em alguma rede de mensagens instantâneas já deve ter recebido uma dessas (geralmente acompanhadas de um link). Este meio é muito bom para compartilhar estes estalos, momentos eureka e pequenas descobertas. Porém estas mensagens simplesmente querem ser públicas e não gostam de ficar confinadas entre duas pessoas apenas. Uma das maiores evidências que tenho disso é o fato das minhas mensagens nunca serem enviadas para uma pessoa só. Ao invés disso, quase todo mundo que está on-line no momento recebe uma cópia. Além disso, muitas vezes também tenho vontade de publicar as mensagens neste blog aqui, só não acho que seja a mídia mais apropriada.

Assim como aconteceu com os blogs, eu deixei minha impressão inicial de lado e descobri que um serviço de mensagens públicas não precisa ser usado para futilidades e pode ser muito útil para compartilhar estes pensamentos breves. Faz muito sentido tornar público aquilo que não se tem certeza a exatamente quem pode interessar. Assim as pessoas podem escolher por si mesmas o que ler. Por cima disso tudo, como uma cobertura especial, está o robô de mensagens instantâneas que me permite manter a mesma forma de publicação que usava antes. Ou seja, eu não preciso entrar em algum site especial para publicar minhas mensagens, posso usar meu serviço de mensagens instantâneas favorito como sempre fiz. Só que agora ao invés de mandar uma mensagem para uma ou duas pessoas que eu escolher, posso “falar” apenas com o robô e as pessoas podem escolher me dar um segundo da sua atenção ou não.

Portanto, quem quiser acompanhar alguns devaneios mais curtos do que normalmente encontra aqui neste blog, é só seguir para http://twitter.com/thiagoarrais e quem recebia minhas mensagens de vez em quando só vai ser importunado se quiser. Lá ninguém vai encontrar muita coisa sobre o que eu estou fazendo agora, mas pode ter uma idéia do que estou pensando.

P.S.: Não consegui achar um artigo na wikipedia em português sobre a palavra “Eureka”. Será que alguém tomaria o tempo para começar um?

Blogs-diário, blogs-opinião e minha tentativa como entrevistador

Tem um tipo de blog pelo qual tenho uma ojeriza tremenda: o blog-diário. Acho que eles já pararam de fazer isso (porque migraram para os sites de relacionamento), mas sabe aqueles blogs de adolescentes cujos artigos costumam ser sobre a festinha de ontem ou a bronca que o professor passou na turma hoje mais cedo? Sabe aqueles blogs cujos artigos mais elaborados são aqueles que têm uma letra de música qualquer que o autor e seus amiguinhos estavam escutando no dia (e mais nada)?

Este tipo de coisa não acontece somente com garotos e garotas de 14 anos, alguns blogueiros na área de tecnologia também estão infectados com a mesma doença. Neste caso os assuntos mudam um pouco. Passam a ser sobre o último release dos seus projetos, as conferências mais badaladas e os encontros de grupos de usuários locais. Eles podem não notar, mas estão agindo do mesmo modo que os adolescentes. Estão somente publicando um diário de bordo.

Acho que blogs deveriam ser um meio para publicar opiniões e vê-las serem destrinchadas, atacadas e testadas. Se estivéssemos em uma revista semanal, os blogs deveriam ser mais como uma coluna ou um editorial do que como o resumo da semana. Os leitores não querem saber o quanto o autor é inteligente, produtivo ou como tem sucesso em tudo que resolve fazer. Ao invés disso, um blog deve ser um espaço para o autor ajudar os leitores a se tornarem mais inteligentes, produtivos e a terem mais sucesso em tudo que resolverem fazer.

Apesar disso tudo, acabei caindo nesta armadilha em conseqüência da correria nossa de cada dia. Se você consultar os históricos aqui do blog, vai ver que os dois últimos artigos anteriores a este se encaixam perfeitamente no que eu descrevi como artigos de blog-diário. O último é só um anúncio de reunião de grupo de usuários e o penúltimo uma bela de uma babada em meu próprio trabalho juntamente com o anúncio da publicação do Motiro (não consegui resistir a mais um link). Mas o sinal mais alarmante de que eu estou usando meu blog como um diário é que este mesmo artigo que você está lendo agora também é só mais uma anotação de diário.

Sim, eu publiquei toda esta introspecção e fiz você ler até aqui somente para anunciar que participei da entrevista que o Eduardo Fiorezi fez com o Vitor Pamplona. Foi bastante gratificante receber um segundo convite para o programa do Eduardo, principalmente por ter sido surpreendido com uma posição de entrevistador ao invés de entrevistado e pela estrela do programa ser uma figura tão relevante.

Espero que com estes três últimos artigos eu não tenha perdido metade da minha audiência, mas prometo que vou fazer de tudo para que o próximo revele algum pensamento interessante sobre tecnologia.

Por enquanto, um anúncio de entrevista disfarçado de reflexão é tudo que tenho a oferecer.